domingo, 19 de maio de 2013

A História Oficial - Ditadura Militar na Argentina - Ganhador de Oscar de melhor filme estrangeiro

Ano:1985
Tamanho:700 MB
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Sinopse:Na Buenos Aires em tempos de abertura política, professora de História começa a se dar conta da violência da ditadura militar em seu país. O seu drama se complica quando passa a desconfiar que Gabi, a menina que adotou, pode ser a filha de uma desaparecida dos tempos de opressão militar.







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As feridas abertas pel mais recente ditadura 
na Argentina ainda sangram. Este é o tema do   filme “A História Oficial” (La Historia Oficial: direção Luiz Puenzo, 1985, Argentina, 113 min.).
Produzido no auge do questionamento da ditadura, se passa em 1983. Apresenta a história de Alicia Ibañez, uma rígida professora de História que sempre ensinou a "História Oficial", da tradição republicana argentina e seus grandes heróis.
Mas quando uma velha amiga volta do exílio e conta como foi perseguida e torturada, revelando os horrores dos porões da ditadura, ela começa a questionar as estranhas circunstâncias da adoção de sua filha. A criança havia sido trazida pelo marido, que, sem maiores explicações, disse somente que a mãe a havia abandonado. A partir de questionamentos de seus alunos, e também do início da divulgação dos crimes da ditadura, Alicia toma conhecimento dos “boatos” sobre os raptos dos “filhos de desaparecidos", e começa a achar que sua filha pode ser uma destas crianças.
Nesse momento, o regime iniciado em 1976 está nos estertores finais. Após um conturbado período de inquietação e insegurança social e radicalização política de direita e de esquerda, as Forças Armadas, impregnadas pelo anticomunismo, realizam intervenção militar baseada na Doutrina de Segurança Nacional . A instauração do regime ditatorial é imediato (Estatuto para o Processo de Reorganização Nacional, 31/03/1976): suspensão da Constituição, restrição às liberdades civis e às atividades políticas, controle da imprensa e concentração dos poderes nas mãos do Executivo.
O regime inicia então a chamada “guerra suja”, uma campanha de detenção ilegal, tortura e assassinatos voltada contra grupos esquerdistas e, posteriormente, contra todos os opositores, de qualquer corrente ideológica.
Caçando, prendendo e torturando os integrantes das organizações “subversivas”, seus parentes e amigos, a guerra suja rapidamente alcançou um alto grau de complexidade e organização, com a instalação de aproximadamente 340 CCDs (Centros Clandestinos de Detención). Esta política sistemática de perseguição e pavor criou a categoria dos "Desaparecidos", pessoas seqüestradas em casa, na rua ou no trabalho e que nunca mais foram localizadas.
A principal idéia dos militares era instaurar o pavor entre a sociedade civil, para estimular as denúncias e coibir a oposição. Até o fim do regime, cerca de 30 mil argentinos morreram ou desapareceram, de acordo com entidades de direitos humanos (estimativas conservadoras falam em 15 mil vítimas).
O horror atingiu até crianças inocentes, filhos e filhas dos presos políticos; crianças que viram seus pais serem seqüestrados no meio da noite ou que nasceram nas prisões. Uma rede ilegal de “adoção paralela” foi formada por famílias de oficiais e colaboradores civis do regime. Toda criança “recolhida” era encaminhada à adoção “extra-oficial” e escondida, tendo sua identidade modificada. Assim, buscava-se “sanear” a sociedade argentina, inserindo os filhos dos subversivos junto à “gente de bem”.
Como resultado deste processo, existe hoje na Argentina um número indeterminado de pessoas, “filhos de desaparecidos” que podem ainda estar vivendo sob identidade falsa, com uma família adotiva. Segundo levantamento da associação Abuelas de Plaza de Mayo, cerca de 75 já foram localizados e atualmente vivem com suas famílias verdadeiras ou ao menos as conhecem.
É nesse contexto que surgem os questionamentos da personagem Alicia. Ela começa a pesquisar a história do nascimento de sua filha; procura hospitais, arquivos, entidades de direitos humanos. E nessa busca termina por encontrar a avó verdadeira de sua filha, uma das Abuelas da Praça de Maio. Enquanto isso, o marido insiste em continuar negando a verdade, o que termina por destruir sua família. Seus colegas de trabalho - aparentemente ele é funcionário de um dos ministérios com sede na Praça de Maio - também estão bastante inquietos com o fim do regime, e, para "piorar", seu pai e irmão, anarquistas, questionam seu enriquecimento e suas atitudes. O mundo de sonho e fantasia de ambos desmorona.
”A História Oficial” retrata uma época de grandes mudanças e descobertas na Argentina. A ditadura ruía por dentro e seus crimes apareciam a cada dia na TV. Enquanto a burguesia enriquecida (Alicia) tentava manter os olhos fechados, a burocracia corrupta e conivente (Roberto, o marido) se desespera, temendo cair em desgraça. Sara, a abuela, é o retrato da busca pela verdade, e Ana, a filha, é a prova viva dos crimes da ditadura.
Em momento revelador do filme, Alicia desespera-se ao intuir a verdade sobre sua filha e pergunta a um padre o que fazer. Este aconselha o esquecimento e o silêncio, e no diálogo fica claro que participou diretamente do processo que levou a pequena Ana àquela família. O padre, conivente e apoiador da ditadura, é uma peça fundamental para a compreensão do esquema de rapto de crianças e do papel da Igreja como aliada do regime.
A personagem Alicia é o retrato da própria Argentina, que não quer ver o passado, mas é forçada a isto porque este está dentro de casa, cercando-a, ameaçando-a; não é mais possível fugir da verdade.
Após uma fracassada aventura militar (Guerra das Malvinas, 1982), a ditadura entra em colapso. Durante a transição democrática (1983-1990), tem início a busca da sociedade argentina pela verdade. Um intenso movimento de investigação é realizado pelas entidades de direitos humanos; a Comissão Nacional sobre Desaparição de Pessoas identifica cerca de 9.000 desaparecidos e revela a localização de diversos Centros Clandestinos de Detenção; imprensa e sociedade civil pressionam pela punição de todos os envolvidos nos crimes do regime autoritário.
Estas ações e o clamor por justiça amedrontam os militares e colaboradores, que, temendo retaliações, acusam e ameaçam os investigadores, pressionando pela “reconciliação nacional”. Esta situação encontra-se bem retratada no filme pelo desespero do personagem Roberto.
Prevendo a reação, o próprio regime já havia decretado a “Autoanistia” (Lei n° 22.924, de 23/03/1983, posteriormente anulada), inocentando os “subversivos”, mas também eximindo os militares. Temendo as freqüentes sublevações dos militares ameaçados, o governo redemocratizador de Raul Alfonsín (1983-1989) assumiu posições moderadas: com a promulgação da “Lei Ponto Final” (nº 23.492 de 03/09/1986: eximindo todos os processados, exceto os envolvidos em ocultação de menores) e ”Lei da Obediência Devida” (nº 23.521 de 04/06/1987), eximiu todos os oficiais subalternos das três Armas.
Em 30 de dezembro de 1990 o presidente Carlos Menen decreta indulto geral para mais de 300 envolvidos, inocentando assim todos os militares de alta e baixa patente envolvidos na repressão, não contemplados pelas leis anteriores.
Assim os poderes constituídos realizaram uma “anistia branca”, não-oficial, mas que efetivamente protegeu todos os responsáveis pelos crimes contra os direitos humanos. A questão não foi resolvida e ainda convulsiona a vida política argentina. Porém, a sede de justiça expressa em “A História Oficial”, precocemente tematizando um dos fatos mais chocantes e peculiares do passado recente do país, é um sinal de que as feridas são profundas, mas podem cicatrizar.


Anexo 1
A ditadura argentina: trechos de documentos



Directiva 404/75 das Forças Armadas – 28/09/7975:
"Operar ofensivamente contra la subversión en el ámbito de su jurisdicción y fuera de ella en apoyo de las otras Fuerzas Armadas, para detectar y aniquilar las organizaciones subversivas... a. Tendrá responsabilidad primaria en la dirección de las operaciones contra la subversión en todo el ámbito nacional. b. Conducirá, con responsabilidad primaria, el esfuerzo de Inteligencia de la comunidad informativa contra la subversión (...) c. Establecerá la VF (Vigilancia de Frontera) necesaria a fin de lograr el aislamiento de la subversión del apoyo exterior”.
Fonte: “Nunca Más: Informe de La Comisión Nacional sobre La Desaparición de Personas” http://www.desaparecidos.org/arg/conadep/nuncamas/nuncamas.html



Estatuto para o Processo de Reorganização Nacional - 31/03/1976:
"La Junta Militar, integrada por los comandantes generales del Ejército, la Armada y la Fuerza Aérea, órgano supremo de la Nación, velará por el normal funcionamiento de los demás poderes del Estado y por los objetivos básicos a alcanzar, ejercerá el Comando en Jefe de las Fuerzas Armadas y designará al ciudadano que, con el título de Presidente de la Nación Argentina, desempeñará el Poder Ejecutivo de la Nación (...). También inicialmente removerá y designará a los miembros de la Corte Suprema de Justicia de la Nación, al procurador general de la Nación y al fiscal general de la Fiscalía Nacional de Investigaciones Administrativas (...). Las facultades legislativas que la Constitución nacional otorga al Congreso, incluidas las que son privativas de cada una de las Cámaras, serán ejercidas por el presidente de la Nación (...). Una Comisión de Asesoramiento Legislativo intervendrá en la formación y sanción de las leyes, conforme al procedimiento que se establezca. (...) La Comisión de Asesoramiento Legislativo estará integrada por nueve oficiales superiores, designados tres por cada una de las Fuerzas Armadas (...). El Poder Ejecutivo Nacional proveerá lo concerniente a los gobiernos provinciales y designará los gobernadores, quienes ejercerán sus facultades conforme a las instrucciones que imparta la Junta Militar (...)" .
Fonte: “Nunca Más: Informe de La Comisión Nacional sobre La Desaparición de Personas” http://www.desaparecidos.org/arg/conadep/nuncamas/nuncamas.html



A posição da Igreja: pronunciamento do Monsenhor Pío Langhi – 27/06/1976:
"... los valores cristianos están amenazados por la agresión de una ideología que es rechazada por el pueblo. Por eso cada uno tiene su cuota de responsabilidad, la Iglesia y las Fuerzas Armadas; la primera está insertada en el Proceso y acompaña a la segunda, no solamente con sus oraciones, sino con acciones en defensa y promoción de los derechos humanos y la patria...".
Fonte: “Nunca Más: Informe de La Comisión Nacional sobre La Desaparición de Personas” http://www.desaparecidos.org/arg/conadep/nuncamas/nuncamas.html



A "Autoanistia" (Lei n° 22.924, de 23/03/1983):
"Decláranse extinguidas las acciones penales emergentes de los delitos cometidos con motivación o finalidad terrorista o subversiva, desde el 25 de mayo de 1973 hasta el 17 de junio de 1982. (...) Los efectos de esta ley alcanzan a los autores, partícipes, instigadores, cómplices o encubridores y comprende a los delitos comunes conexos y a los delitos militares conexos. (...) Quedan excluidos de los beneficios estatuidos en el artículo precedente los miembros de las asociaciones ilícitas terroristas o subversivas que, a la fecha hasta la cual se extienden los beneficios de esta ley, no se encontraren residiendo legal y manifiestamente en el territorio de la Nación Argentina. (...)
Fonte: “Nunca Más: Informe de La Comisión Nacional sobre La Desaparición de Personas” http://www.desaparecidos.org/arg/conadep/nuncamas/nuncamas.html



Lei Ponto Final (nº 23.492 de 03/09/1986:
"En las mismas condiciones se extinguirá la acción penal contra toda persona que hubiere cometido delitos vinculados a la instauración de formas violentas de acción política hasta el 10 de diciembre de 1983. (...) La presente ley no extingue las acciones penales en los casos de delitos de sustitución de estado civil y de sustracción y ocultación de menores".
Fonte: “Nunca Más: Informe de La Comisión Nacional sobre La Desaparición de Personas” http://www.desaparecidos.org/arg/conadep/nuncamas/nuncamas.html



Lei da Obediência Devida (nº 23.521 de 04/06/1987):
"Se presume sin admitir prueba en contrario que quienes a la fecha de comisión del hecho revistaban como oficiales jefes, oficiales subalternos, suboficiales y personal de tropa de las fuerzas armadas, de seguridad, policiales y penitenciarias, no son punibles por los delitos a que se refiere el art. 10, punto 1 de la ley 23.049 por haber obrado en virtud de obediencia debida. La misma presunción será aplicada a los oficiales superiores que no hubieran revistado como comandante en jefe, jefe de zona, jefe de subzona o jefe de fuerza de seguridad, policial o penitenciaria si no se resuelve judicialmente, antes de los treinta días de promulgación de esta ley, que tuvieron capacidad decisoria o participaron en la elaboración de las ordenes".



Anexo 2
Ditadura argentina: sites relacionados



Proyecto “Nunca Más”:
http://www.nuncamas.org/
“Nunca Más”: Informe de La Comisión Nacional sobre La Desaparición de Personas
http://www.desaparecidos.org/arg/conadep/nuncamas/nuncamas.html
Abuelas de La Plaza de Mayo:
http://www.abuelas.org.ar/
Madres de Plaza de Mayo:
http://www.madres.org/
Proyecto “Desaparecidos en Argentina”:
http://www.desaparecidos.org/arg/
Asociación ExDetenidos Políticos:
http://www.exdesaparecidos.org.ar/aedd/example2.php
La Decada del 70:
http://www.ladecadadel70.com.ar/l.html



Referencias bibliográficas:


CAVAROZZI, Marcelo. “Ciclos políticos na Argentina a partir de 1955”. In: O’DONNEL, SCHIMITTER & WHITEHEAD. Transições do regime autoritário: América Latina. São Paulo: Vértice, 1988.
PASSOS, José Meirelles. A Noite dos Generais: os bastidores do terror militar na Argentina. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1986.

O Poder Popular(III) - Ditadura Militar no Brasil


Ano:1979

Tamanho:680 MB



Considerado um dos melhores e mais completos documentários latino-americanos, A Batalha do Chile é o resultado de seis anos de trabalho do cineasta Patrício Guzmán. Dividido em três partes (A insurreição da burguesia, O golpe militar e O poder popular), o filme cobre um dos períodos mais turbulentos da história do Chile, a partir dos esforços do presidente Salvador Allende em implantar um regime socialista (valendo-se da estrutura democrática) até as brutais conseqüências do golpe de estado que, em 1974, instaurou a ditadura do general Augusto Pinochet. Essa edição especial se completa com outros dois documentários: Patrício Guzmán: um história chilena, sobre a trajetória única do autor de A Batalha do Chile e A resistência final de Salvador Allende, uma reconstituição dos últimos momentos de Allende antes do golpe. "Salvador Allende põe em marcha um programa de profundas transformações sociais e políticas. Desde o primeiro dia a direita organiza contra ele uma série de greves enquanto a Casa Branca o asfixia economicamente. Apesar do boicote, em março de 1973 os partidos que apóiam Allende obtêm mais de 40% dos votos. A direita compreende que os mecanismos legais já não servem. De agora em diante sua estratégia será o golpe de estado. A batalha do Chile é um documento que mostra, passo a passo, esses acontecimentos que comoveram o mundo". Patricio Guzmán.

A Insurreição da Burguesia- Ditadura Militar no Chile


Ano:1975

Tamanho:775 MB



O ano é 1973, período de eleições parlamentares no Chile. Nas ruas, entrevistas com a população revelam um país dividido: de um lado, os defensores do presidente Salvador Allende, que já dera início ao seu programa de reforma socialista; de outro, os simpatizantes da oposição, formada pelo Partido Nacional e pelo Partido Democrático Cristão. A vitória da oposição, tida como certa, não se confirma, acirrando a campanha para inviabilizar o governo, incluindo boicotes no parlamento, greves e protestos nas ruas.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Pra Frente Brasil - Ditadura Militar no Brasil

Ano:1982
Tamannho:700 MB
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Em 1970 o Brasil inteiro torce e vibra com a seleção de futebol no México, enquanto prisioneiros políticos são torturados nos porões da ditadura militar e inocentes são vítimas desta violência. Todos estes acontecimentos são vistos pela ótica de uma família quando um dos seus integrantes, um pacato trabalhador da classe média, é confundido com um ativista político e "desaparece".

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Operação Condor - Ditadura Militar no Brasil

Ano:2007
Tamanho:588 MB
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Por volta de 1970, Simon e Garfunkel cantavam, com direito a quena e tudo, o pássaro mais conhecido da Cordilheira dos Andes - "El concor pasa em cielo del Peru/Del Peru..." Naquela mesma época - um pouco depois -, o condor batizava um movimento coordenado das ditaduras sul-americanas, instaladas no Brasil, no Uruguai na Argentina e no Chile, para trocar informações e prisioneiros e coordenar a repressão política no continente, com apoio direto dos EUA. Muitas vidas foram destruídas na Operação Condor. Roberto Mader realiza agora o resgate do que foi aquela época sombria. Em vez de números, ou das frias análises políticas dos estrategistas, ele prefere o viés intimista. Conta histórias humanas, de gente cuja vida mudou para sempre naquele período tumultuado.   Veja também: Trailer de 'Condor' 
  "Tenho a impressão de que o filme ia passar pelas pessoas, se fosse feito de outra forma, mais focado nas estatísticas, por brutais que sejam, da Operação Condor. No limite, o que fica com o espectador é aquilo que eu queria atingir - a história da menina, emblemática de todo o período." A menina a quem Mader se refere chama-se Victoria e tinha apenas um ano e meio quando viu os pais serem assassinados. O irmão e ela foram levados para um orfanato em outro país, o Chile, onde e depois adotados. Trinta anos mais tarde, a avó biológica conseguiu localizá-los. O filme conta muitas dessas histórias, mas a dos uruguaios Victoria e Anatole talvez seja única porque as duas famílias, a biológica e a adotiva, se uniram.   Uma trama dessas parece coisa de ficção, mas aconteceu. Roberto Mader vivia no exterior, na Inglaterra, quando esse projeto começou a tomar forma. Demorou muito tempo, mas ele não quer explorar a idéia do cineasta - coitadinho - que demorou uma década para concluir seu projeto. Agora mesmo, ele está endividado - gastou o que não tinha -, mas feliz. Condor foi premiado no Festival de Gramado do ano passado e entra nesta quinta-feira, 1, em exibição no circuito comercial. O filme chega para esclarecer, mais do que para provocar polêmica.   Mader selecionou seu recorte e, com certeza, tem uma nítida preferência pelas vítimas dessa história, mas ele dá voz ao outro lado, aos carrascos, na tentativa de entender. Um dos depoimentos mais contundentes de seu filme é o do senador Jarbas Passarinho - ex-ministro dos governos militares -, que admite que houve um golpe de Estado no Brasil. Na definição de Passarinho, totalmente pró-golpe, "Nós tivemos de almoçá-los antes que eles nos jantassem". Não é todo mundo que têm essa coragem de assumir os próprios gestos. O personagem mais antipático de todo o imbróglio termina sendo o filho do ex-ditador chileno Augusto Pinochet. Com o pai enfermo - e impossibilitado de falar -, ele aceita dar seu depoimento, mas cobra para isso.   Foi justamente a partir da prisão de Pinochet, em 1998, quando começou a se falar mais abertamente da Operação Condor, que Mader chegou à conclusão de que tinha de fazer o filme. No Chile e na Argentina, onde a repressão foi mais violenta - e o número de vítimas, maior -, sempre houve um forte debate sobre o que ocorreu. No Brasil, a tendência é esquecer os anos de chumbo. A própria decisão de oferecer uma reparação material às vítimas da repressão provoca controvérsia. "Tem gente no Brasil que ganhou fortunas dizendo-se vítima da repressão, enquanto a viúva do metalúrgico Manuel Fiel Filho (morto em 1976) ganha uma miséria. O chato disso é que cria na opinião pública uma aversão à reparação. Também é um fato que nenhuma reparação material consegue substituir o horror da outra reparação, a moral, a psicológica." Para chegar aos personagens, Mader teve apoio de ONGs e organizações humanitárias em diversos países, mas se você pensa que foi fácil, engana-se. "Até nessas organizações existe muita divisão interna."   Condor tinha muito mais histórias, que Mader foi abandonando. "Doía na sala de montagem quando a gente abria mão de depoimentos e de personagens. Mas o tema é pesado e o filme precisava ser pensado também como linguagem para chegar ao coração do público, que era o que me interessava." Histórias essenciais permanecem, como a dos uruguaios Lílian Celiberti e Universindo Diaz, seqüestrados em Porto Alegre, com apoio da polícia brasileira. O caso despertou talvez a primeira grande batalha da imprensa brasileira contra o regime. Hoje, a própria Lílian diz que o marido e ela foram salvos pela campanha desencadeada no Brasil. Outra história dolorosa é a de outra uruguaia, Sara Mendez, presa quando seu bebê tinha apenas 20 dias. O garoto foi criado por policiais. Ela conseguiu chegar até ele, mas o filho permanece dividido. Pode ser que essa preferência de Mader pelo recorte humano, familiar, tenha a ver com a situação que ele vive. Não - Mader não viveu eventos como os do filme, mas casou-se na Inglaterra, teve filhos, o casal se separou e hoje os filhos com a mãe, no exterior. Não é a mesma coisa, claro, mas este homem sensível - este diretor talentoso - entende a dor da separação. Seu filme fala disso numa potência muito maior, e mais terrível. Você poderá até se perguntar se essas coisas ocorreram de verdade. Sim, ocorreram, e nada trará de volta o que foi perdido. A reparação - moral - somente poderá atenuar o problema.     Condor (Brasil/2007, 103 min.) - Documentário. Dir. Roberto Mader. 10 anos. Ci-ne Bombril 2 - 18 h. Uniban-co Arteplex 8 - 16 h, 20 h, 22 h. Cotação: Bom


Olga - Ditadura Militar no Brasil

Ano:2004
Tamanho:425 MB
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Leitura Recomendada:
Olga Benário nasceu em uma família judia em Munique na Alemanha no dia 12 de fevereiro de 1908. Seu pai Leo Benário era um advogado social democrata e sua mãe Eugénie era uma dama da alta sociedade que não apoiava as idéias revolucionárias da filha. Em 1923, aos 15 anos, Olga entrou para o partido comunista. Em 1926 foi presa por traição e libertada poucas semanas depois. Em 1928 liderou uma missão no Tribunal de Justiça para libertar seu companheiro Otto Braun, comunista e revolucionário que havia sido sentenciado à prisão de Berlin-Moabit. Em 1934 Olga foi designada para uma missão cujo objetivo era levar em segurança ao Brasil o líder comunista Luís Carlos Prestes. Ambos deveriam se passar por marido e mulher para ajudar no disfarce. Durante a viagem Olga e Prestes se apaixonaram. Devido a influência comunista de Prestes, e da popularidade proveniente da Coluna Prestes, Getúlio Vargas, durante o governo provisório, desenvolveu uma lei de segurança que permitia prender todos aqueles que se opusessem ao governo. Prestes liderou a Aliança Nacional Libertadora acreditando que, tal como a Coluna Prestes, militares, tenentes e comunistas o apoiariam em uma frente política revolucionária comunista, de caráter antifascista e anti-imperialista. O movimento de Prestes se colocava em oposição ao integralismo e a filosofia fascista do governo Vargas, e pretendia a revolução com o apoio da URSS. Este movimento ficou conhecido como Intentona Comunista. Com o fracasso da revolução, Olga e Prestes foram presos e separados. Grávida de Prestes, Olga travou uma batalha contra o governo para ter sua filha no Brasil e não ser deportada para Alemanha nazista, devido ao fato de ser judia. Como uma vingança pessoal de Vargas e Filinto Müller contra Prestes, Olga foi deportada para a Alemanha. Na madrugada de 27 de novembro de 1936, nasceu Anita Leocádia, a filha de Olga e Prestes. Leocádia, mãe de Prestes, fazia uma grande campanha na Europa pela liberdade de Prestes, Olga e Anita. Devido a esta campanha em favor dos direitos humanos, Olga pode ficar com a filha até não poder mais amamentá-la. Quando Anita completou 14 meses foi retirada de Olga, e a avó obteve a guarda da neta. Porém, Olga inicialmente acreditava que Anita poderia ter sido levada pelos nazistas, e só ficou sabendo tempos depois que Anita estava a salvo. Em 1938 Olga foi levada para o campo de concentração de Lichtenburg, e em 1939 para Ravensbrück, o único campo feminino. Em fevereiro de 1942, Olga foi executada na câmara de gás com mais de 200 prisioneiros no campo de Bernburg.
TEXTO ESCRITO PELO ALUNO GUSTAVO MEDIROS T905 CPII/USCII

MPB nos Tempos da Repressão - Ditadura Militar no Brasil

Ano:2004
Tamanho:245 MB
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O programa Ensaio preparou em 2004 uma edição especial denominada ” A MPB dos Tempos da Repressão”, que reunia grandes personalidades da Música Popular Brasileira, que estiveram fortemente ligadas à luta contra a ditadura militar instaurada no Brasil.
Chico Buarque, Caetano Veloso, Théo Barros, Carlos Lyra, Maria Bethânia, João do Vale e Zé Ketti compõem o elenco convidado para essa edição especial, feita em 4 blocos.
Durante a ditadura esses artistas passavam, por meio de suas composições, mensagens de liberdade política que não agradavam os militares. Por esse motivo, muitas canções foram barradas pela censura.
O programa é marcado pela interpretação de músicas que possuem alto teor crítico e político (Sinopse da apresentação do Programa).